Foto: Agência Senado
Senador teve candidatura presidencial travada após sistema eleitoral apontar vínculo com outro partido; PF vai investigar alteração dos dados
Uma alteração no cadastro partidário de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criou um impasse no registro de sua candidatura à Presidência da República e levou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a acionar a Polícia Federal. O sistema da Justiça Eleitoral passou a apontar o senador como filiado ao Partido Missão, e não ao PL, poucas horas antes da apresentação dos documentos para a disputa de 2026.
O TSE informou que a mudança não foi provocada por um ataque hacker nem por uma falha de segurança em seus sistemas. De acordo com o tribunal, o registro foi feito de maneira indevida por meio do sistema FILIA, utilizando credenciais oficiais do próprio Partido Missão.
A legenda negou ter autorizado a filiação do senador e afirmou que também foi vítima da fraude. A apuração deverá esclarecer quem teve acesso ao login e à senha utilizados para realizar a alteração e qual foi a motivação da operação.
Como a filiação foi alterada
A equipe de campanha e a defesa de Flávio Bolsonaro disseram que descobriram a alteração quando estavam prestes a concluir o envio dos documentos de candidatura pelo sistema Candex.
Com o cadastro apontando o senador como integrante do Missão, o procedimento de registro da candidatura pelo PL ficou comprometido.
Flávio afirmou, em publicação nas redes sociais, que a mudança teria sido uma tentativa de inviabilizar sua candidatura nas eleições de 2026.
O que diz o TSE
O Tribunal Superior Eleitoral esclareceu que não identificou invasão aos sistemas da Justiça Eleitoral. Segundo a Corte, a alteração ocorreu mediante o uso indevido das credenciais oficiais do Partido Missão no sistema FILIA.
A diferença é relevante para a investigação: em vez de uma invasão à infraestrutura tecnológica do tribunal, a suspeita envolve o uso irregular de uma conta autorizada a acessar o sistema.
A área de Tecnologia da Informação do TSE recebeu determinação para isolar e preservar os registros digitais de acesso. O objetivo é permitir que os peritos identifiquem a origem da operação e quem realizou o cadastro.
Filiação ao PL foi restabelecida
Durante a tarde de quinta-feira (13), o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, determinou o restabelecimento do vínculo partidário de Flávio Bolsonaro com o Partido Liberal, considerando a filiação existente desde 2021.
Com a decisão, o sistema foi liberado para que a candidatura do senador pudesse ser registrada.
Além de corrigir o cadastro, Nunes Marques determinou o encaminhamento do caso à Polícia Federal para a abertura de inquérito. O processo também foi enviado à Procuradoria-Geral Eleitoral para a apuração de possíveis crimes eleitorais e falsidade ideológica.
Partido Missão diz que também foi vítima
O Partido Missão negou qualquer intenção de filiar Flávio Bolsonaro e afirmou que não participou da alteração cadastral.
A legenda sustenta que também foi vítima da utilização indevida de suas credenciais oficiais. A investigação deverá verificar como os dados de acesso foram obtidos, quem os utilizou e se houve participação de terceiros.
O que a investigação deve esclarecer
A Polícia Federal deverá analisar os registros digitais preservados pelo TSE para tentar identificar o responsável pela alteração.
Entre os pontos que devem ser investigados estão quem acessou o sistema FILIA, de qual credencial partiu a operação, quando o cadastro foi realizado e quais dispositivos ou conexões foram utilizados.
Até o momento, o TSE afirma que não houve invasão de seus sistemas. A apuração, portanto, deverá determinar se houve uso indevido de credenciais partidárias e quem esteve por trás da alteração da filiação.
O episódio foi resolvido no âmbito do registro partidário após a decisão de Nunes Marques, mas a investigação sobre a fraude continua.
Por: Redação


