Foto: Divulgação
A bebê Ayla Emanuelly, de apenas 28 dias, que desapareceu em Campo Grande na última quinta-feira (6), foi encontrada com vida na madrugada deste domingo (9), em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. A criança foi localizada durante uma operação conjunta entre forças de segurança brasileiras e paraguaias.
Após ser resgatada, Ayla foi encaminhada ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero para avaliação médica. Segundo o Conselho Tutelar, ela está bem, saudável e em segurança. Depois do atendimento, a bebê foi repatriada e entregue ao Conselho Tutelar de Ponta Porã, onde permanece sob cuidados da rede de proteção.
O casal de brasileiros que estava com a criança no imóvel foi preso em flagrante e também permanece custodiado em Ponta Porã. Os dois devem ser encaminhados para Campo Grande nesta segunda-feira (10), onde serão acompanhados por uma equipe da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca).
Bebê teria sido levada após mãe ser atraída para uma casa
A investigação começou depois que a mãe de Ayla, uma adolescente de 17 anos, relatou à Polícia Militar que havia sido atraída para uma residência no Bairro Universitário, em Campo Grande, com a promessa de receber R$ 100 para cuidar da filha de uma mulher que conheceu em um grupo de venda de roupas infantis.
A adolescente foi até o endereço acompanhada da irmã, de 12 anos, e da bebê. Segundo o depoimento, as três foram recebidas por uma mulher, que ofereceu água. A mãe afirmou que não chegou a dormir após beber, mas a irmã adormeceu e só acordou por volta das 20h.
Ainda conforme o relato, a adolescente teria sido ameaçada e obrigada a entregar a filha. Ela contou aos policiais que ouviu ameaças de que ela e a irmã seriam jogadas em um buraco caso se recusassem a entregar a criança.
A bebê foi retirada do imóvel, enquanto as duas irmãs permaneceram no local até aproximadamente 1h da madrugada de sexta-feira (7). O celular da mãe também teria sido levado. Segundo o relato, havia cerca de dez homens na residência, além da mulher responsável pela suposta oferta de trabalho.
Após o desaparecimento, equipes da Depca iniciaram diligências para identificar os responsáveis e localizar a criança. Durante as investigações, os policiais levantaram informações que indicavam que Ayla poderia ter sido levada para o Paraguai.
A Polícia Civil de Ponta Porã foi acionada e passou a compartilhar informações com as forças de segurança paraguaias. O caso contou com a atuação do Comando Bipartito, grupo formado por policiais brasileiros e paraguaios que atua na região de fronteira.
Com base nos dados levantados pela polícia brasileira, as autoridades paraguaias identificaram uma residência em Pedro Juan Caballero onde havia suspeita de que a bebê estivesse.
Por volta de 1h15 deste domingo, equipes do Comando Bipartito, com apoio do Grupo Antissequestro (DAS), da Direção de Polícia do Amambay e de operadores táticos, cumpriram um mandado judicial de busca no imóvel.
Ayla foi encontrada dentro da residência na companhia de um casal de brasileiros. Durante a operação, os policiais também apreenderam celulares, documentos e um veículo, materiais que deverão ser analisados no decorrer da investigação.
Suspeitos devem ser levados para Campo Grande
O casal encontrado com Ayla foi preso e permanece custodiado em Ponta Porã. A previsão é que os dois sejam levados para Campo Grande nesta segunda-feira (10), onde deverão ser ouvidos pela Depca.
Antes do resgate da bebê, outro homem já havia sido preso em Campo Grande, no sábado (8), por suspeita de envolvimento no caso. Segundo a investigação, ele teria emprestado a residência onde a criança foi mantida após ser retirada da mãe.
A prisão preventiva do homem foi decretada neste domingo durante audiência de custódia. A defesa, formada pelos advogados Renan Vieira e Dendry Rios, informou que está tomando conhecimento dos detalhes do caso para demonstrar que o cliente não teria relação direta com os fatos atribuídos a ele.
A investigação ainda busca esclarecer toda a dinâmica do crime, incluindo quem planejou o sequestro, a participação de cada suspeito, como a bebê foi levada para fora do Brasil e se outras pessoas participaram da ação.
Os celulares, documentos e o veículo apreendidos no Paraguai deverão passar por análise e podem contribuir para identificar outros envolvidos e esclarecer a organização do crime.
Família receberá acompanhamento da rede de proteção
Ayla permanece sob os cuidados do Conselho Tutelar de Ponta Porã. A família deverá receber atendimento da rede de proteção a partir desta segunda-feira, com acompanhamento da criança e dos familiares após o episódio.
As equipes também deverão avaliar os próximos encaminhamentos relacionados à bebê e à família.
O caso é investigado pela Depca, com apoio do Grupo de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Garras), da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Roubos e Furtos de Veículos (Defurv) e da Delegacia Regional de Ponta Porã.
No Paraguai, participaram da operação o Comando Bipartito de Pedro Juan Caballero, o Grupo Antissequestro, a Direção de Polícia do Amambay e outras unidades da Polícia Nacional paraguaia. A ação também contou com apoio de agentes do Consulado Americano em São Paulo.
Amber Alert foi acionado pela primeira vez em MS
Na sexta-feira (7), o Ministério da Justiça acionou o Amber Alert Brasil para ampliar a divulgação do desaparecimento de Ayla. Foi a primeira vez que a ferramenta foi utilizada em Mato Grosso do Sul.
O sistema é destinado a casos de desaparecimento de crianças e adolescentes quando há suspeita de rapto ou sequestro. O objetivo é ampliar rapidamente a divulgação das informações para aumentar as chances de localização da vítima.
Com a localização da bebê, a investigação agora deve avançar para esclarecer todos os detalhes do sequestro e identificar a possível participação de outros envolvidos.
Por: Redação


