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Em alusão ao Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, a Câmara Municipal de Três Lagoas realizou, na noite desta quarta-feira (22), o seminário “Vozes que Ecoam”, reunindo lideranças, educadoras, representantes do poder público e da sociedade civil para promover reflexões sobre o protagonismo e os direitos das mulheres negras.
O evento foi uma propositura da vereadora Evalda Reis e teve como presidente da mesa Cidolina de Fátima Silva Souza, presidente do Movimento de Luta das Mulheres Negras de Três Lagoas. A programação também contou com a participação de jovens vereadores do Programa Parlamento Jovem, representando diferentes instituições de ensino do município.
Antes do início das atividades, os participantes prestaram um minuto de silêncio em homenagem ao jornalista Adilson, que faleceu na tarde de quarta-feira. Na abertura do seminário, Cidolina destacou a importância histórica da iniciativa e reforçou o papel das lideranças na construção de uma sociedade mais igualitária.
Ao citar a escritora Conceição Evaristo, ela ressaltou que “o importante não é ser o primeiro ou primeira, o importante é abrir caminhos”, enfatizando a necessidade de ampliar espaços de diálogo e representatividade.
A primeira palestra foi ministrada pela bibliotecária, documentarista e coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI) do IFMS Campus Três Lagoas, Dra. Gislaine Imaculada de Matos Silva. Em sua apresentação, ela abordou a literatura afro-brasileira, a ancestralidade como instrumento de resistência e a importância da preservação da memória dos povos negros.
A palestrante também chamou a atenção para o combate às discriminações contra religiões de matriz africana, defendendo o uso da expressão “racismo religioso” para definir a perseguição sofrida por essas tradições religiosas, por estarem historicamente ligadas à população negra.
Na sequência, a professora da Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso do Sul e mestre em Educação, Luciana Cardoso do Nascimento Silva, apresentou a palestra “Resistência e Direitos”. Durante sua fala, destacou o legado de Tereza de Benguela, liderança quilombola do século XVIII que se tornou símbolo da luta pela liberdade e inspiração para o Dia Nacional da Mulher Negra.
Luciana reforçou que o exemplo de Tereza permanece atual e que o enfrentamento das desigualdades estruturais exige união, compromisso com a igualdade racial, reparação histórica e a construção de uma sociedade mais justa para todos.
Além das palestrantes, participaram do seminário a presidente do Conselho Municipal dos Direitos do Negro, Deise Cristina Silva de Camargo, e o subsecretário estadual de Políticas Públicas para Promoção da Igualdade Racial, Deividson de Deus Silva, que reafirmaram o compromisso com o fortalecimento das políticas de promoção da igualdade racial e do protagonismo das mulheres negras.
Por: Redação


