Operação do MPMS prende suspeito de gerenciar “lista de jurados” do CV em Mato Grosso do Sul

Montagem com fotos dos alvos era publicada em perfis da facção no TikTok e no Instagram – Reprodução

Jovem de 19 anos é apontado como administrador de perfis em redes sociais que divulgavam ameaças de morte a 24 pessoas, supostamente ligadas ao PCC; investigação foi intensificada após assassinato de homem e de uma criança de 3 anos

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deflagrou, nesta semana, a Operação Death List, que resultou na prisão de Pablo da Silva Santos, de 19 anos, em Juscimeira (MT). Ele é apontado como integrante do Comando Vermelho (CV) e suspeito de administrar perfis no TikTok e no Instagram nos quais publicava fotos de pessoas que seriam “juradas de morte” por suposta vinculação ao Primeiro Comando da Capital (PCC) em Mato Grosso do Sul.

As investigações, conduzidas pela Unidade de Investigação de Crimes Cibernéticos (UICC) do MPMS, tiveram início a partir do monitoramento de redes sociais. Segundo o promotor de Justiça Felipe Almeida Marques, coordenador da unidade, os perfis vinham sendo usados para espalhar ameaças à população, imputando a pessoas comuns a participação ou ligação com a facção paulista.

“A gente já tinha informação de que existiam perfis no TikTok e no Instagram publicando ameaças para a população, imputando a participação ou a vinculação com o PCC. A partir do monitoramento desses perfis na internet, começamos a investigar quem estaria por trás deles e chegamos a Pablo Silva Santos”, explicou o promotor.

A atuação do suspeito ocorria a partir de Mato Grosso, e a apuração aponta que a chamada “guerra de facções” que afeta Mato Grosso do Sul tem origem no estado vizinho.

O caso ganhou urgência após o assassinato de um dos alvos da lista. Márcio Aparecido da Silva Filho, de 27 anos, conhecido como Márcio Pelé, e sua enteada, uma menina de apenas 3 anos e 8 meses, foram mortos a tiros em Cassilândia (MS), no dia 1º de agosto. O crime ocorreu dentro de um veículo, que ficou com diversas perfurações, principalmente na região do motorista. Uma criança de 12 anos que estava no local foi atingida por estilhaços e encaminhada ao hospital.

“No dia que ele fez a publicação, logo depois, uma pessoa foi morta em Cassilândia e ela estava com uma filha de 3 anos. Ela também foi morta, a menina de 3 anos. Isso nos chocou demais e fez com que a gente intensificasse as investigações”, relatou o promotor.

Pelo menos mais uma pessoa que constava na lista também foi morta, segundo o MPMS. As vítimas residiam, em sua maioria, em municípios do interior sul-mato-grossense.

Esta é a primeira passagem de Pablo pela polícia. Apesar da pouca idade, ele é tratado pelas autoridades como integrante do Comando Vermelho. Durante o cumprimento dos mandados de prisão e busca e apreensão, foram apreendidos aparelhos celulares, que passarão por perícia para identificar possíveis outros envolvidos.

O suspeito deverá ser enquadrado na Lei nº 15.358/2026, conhecida como Lei Antifacção ou Lei Raul Jungmann, sancionada em março deste ano. O promotor explicou que a nova legislação tem sido fundamental para punir esse tipo de crime com mais rigor.

“Essa nova lei antifacção sancionada este ano veio muito a calhar nesse ponto, porque ela imputa penas muito duras para esse tipo de conduta”, afirmou Marques.

Pablo é investigado pelo crime de favorecimento ao domínio de território, previsto na nova lei, que prevê pena de 12 a 20 anos de reclusão.

O promotor ressaltou que, até o momento, não há certeza de que todas as 24 pessoas ameaçadas tenham efetiva ligação com o PCC. Muitas delas podem ter sido alvo apenas por desafetos ou por mecanismos do chamado “tribunal do crime”.

“Ninguém sabe se essas pessoas são vinculadas ao PCC ou não. Eles imputam e também aquela coisa do tribunal do crime. Não necessariamente tem vínculo com o PCC, mas ele até tem umas ameaças”, esclareceu.

As investigações seguem em andamento, com a análise dos dados extraídos dos dispositivos apreendidos, para aprofundar o esclarecimento sobre a atuação da facção na região e identificar outros possíveis envolvidos na divulgação das listas de jurados.

Por: Redação

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