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Mercado financeiro projeta redução de 0,25 ponto percentual, o que levaria os juros básicos para 14,25% ao ano
Os diretores do Banco Central começam nesta terça-feira (16) mais uma reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que decidirá o novo patamar da taxa básica de juros da economia, a Selic. A expectativa predominante entre analistas é de uma redução de 0,25 ponto percentual, o que levaria a taxa de 14,50% para 14,25% ao ano.
Se a previsão do mercado se confirmar, será o terceiro corte consecutivo da Selic. A decisão anunciada pelo Copom servirá de referência para a política monetária pelos próximos 45 dias, até a reunião seguinte do colegiado.
A expectativa de redução foi reforçada pelas projeções do boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central com estimativas de instituições financeiras.
Apesar do cenário favorável a um novo corte, economistas avaliam que o ciclo de redução dos juros pode estar próximo do fim. A persistência da inflação acima da meta e as incertezas no cenário internacional aumentam a expectativa de que o Banco Central adote uma postura mais conservadora nas próximas reuniões.
Para o economista Hugo Garbe, a manutenção de juros elevados ainda é necessária para conter a inflação.
“Eu acredito que segurar a taxa de juros enquanto a inflação não cede é a decisão adequada”, afirma.
Na mesma linha, o economista Augusto Mergulhão considera provável um novo corte, mas avalia que a autoridade monetária deverá interromper temporariamente o ciclo de redução.
Segundo ele, as expectativas inflacionárias continuam elevadas, enquanto fatores externos, como a volatilidade do mercado internacional de petróleo e as decisões de política monetária nos Estados Unidos, exigem cautela. O economista também cita o cenário eleitoral como um elemento adicional de incerteza para os próximos meses.
Benito Salomão também projeta uma redução de 0,25 ponto percentual nesta reunião. Na avaliação dele, porém, o comunicado que acompanhará a decisão deverá indicar uma pausa nos próximos cortes, diante do comportamento recente da inflação.
Cenário internacional pesa na decisão
Além da conjuntura doméstica, o Copom acompanha o ambiente externo. Um dos principais pontos de atenção é a reunião do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, que também definirá a taxa de juros norte-americana.
Especialistas alertam que uma eventual elevação dos juros nos Estados Unidos pode aumentar a pressão sobre economias emergentes, como a brasileira, influenciando as decisões futuras do Banco Central.
O que é a Selic
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação.
Quando os juros sobem, financiamentos, empréstimos e outras modalidades de crédito ficam mais caros. Isso reduz o consumo e ajuda a conter a alta dos preços. Em contrapartida, juros menores tendem a estimular o crédito, o consumo e os investimentos.
Trajetória recente
Após permanecer em 13,75% ao ano entre agosto de 2022 e junho de 2023, a Selic iniciou um ciclo de queda que levou a taxa para 10,5% em maio de 2024.
A partir de setembro do mesmo ano, porém, o Copom voltou a elevar os juros diante do avanço da inflação. Entre o fim de 2024 e fevereiro de 2025, foram sete altas consecutivas, até a taxa atingir 15% ao ano, o maior nível desde 2006.
Nas duas reuniões mais recentes, o Banco Central promoveu cortes de 0,25 ponto percentual, reduzindo a Selic primeiro para 14,75% e, posteriormente, para os atuais 14,50% ao ano.
Por: Redação


